Uma grávida na passeata

Elyan Dellaperuta relembra sua experiência na campanha:

Gostaria de registrar minha história, no dia da Passeata pelas Diretas Já,
no ano de 1984. Meus pais não puderam faltar ao trabalho para ir. Seriam
descontados e o dinheiro na casa deles era pouco… Eu fui a “representante
da família”.  Estava grávida de 3 meses e saí do trabalho (se não me
engano, às 14 horas) para participar da concentração, na Avenida Rio
Branco (RJ). Só fiquei preocupada quando vi soldados da PM montados em
cavalos (tropa da cavalaria???) próximo ao povo, que num entusiasmo
contagiante, trazia bandeiras nas mãos e muita indignação, revolta e
esperança no peito. Foi um momento único, de verdadeiro censo cívico, de
um amor real pelo Brasil, de lutar para fazer o país dar certo. Passaram
pela minha cabeça, muitos heróis mortos pela ditadura, como Herzog, Lamarca
e tantos outros. Havia tanta emoção naquele momento, que o medo da
cavalaria desapareceu e em seu lugar, surgiu um sentimento de honra, por
estar presente, participando de um ato tão importante para todos nós,
brasileiros.
Parabéns a vocês, que estão resgatando esta memória tão fundamental para
as novas gerações não perderem o sentido de nossa verdadeira história.

Sobre markun

Paulo Markun, 58 anos. Jornalista e escritor, autor de doze livros e coordenador do projeto Memória Coletiva - a história da luta contra a ditadura.
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