Muito antes de ser político conhecido como defensor das eleições diretas, o jovem Teotônio Vilela, com apenas quinze anos , apresentava a seus colegas de turma um dos teóricos mais importantes do Iluminismo, o suiço Jean-Jacques Rousseau. Escolhido orador na festa de fim de ano no Colégio Nóbrega, em Recife, encontrou no livro do filósofo a inspiração para seu discurso: leu, anotou, e encontrou os termos que necessitava para expressar sua impressão da realidade que o cercava.
O livro era o Contrato Social, publicado em 1762. “O homem nasce livre e em toda parte encontra-se a ferros” – com essas palavras, Rousseau inicia seu livro. Ao longo de suas páginas, esmiuça seu conceito de Pacto Social, defendendo a liberdade do homem pela retomada da tradição das antigas civilizações, buscando o consenso como forma de garantia dos direitos dos cidadãos. As idéias de Rousseau eram tão radicais que serviram de base para a Revolução Francesa, que pôs fim ao Antigo Regime.
Não se explica bem o fato de haver um exemplar deste na biblioteca daquele colégio super policiado pela ortodoxia católica. A questão é que este caíra nas mãos ávidas de Teotônio, que, frente à oportunidade de discursar palavras próprias, escolheu-as para pedir um novo “pacto social”.
Eu possivelmente nem sabia o que era pacto social, interpreta ele em retrospectiva. Mas já queria um pacto novo. Já achava que a sociedade não estava organizada direito. Já era um rebelde.
O escândalo do discurso cheio de citações de um autor maldito deram o que falar. Teotônio só não foi expulso porque era bom aluno, e porque seu pai, o senhor de engenho capitão Sinhô, fazia questão de pagar adiantadamente a anuidade dos filhos.


Ao defender que todos os homens nascem livres e a liberdade faz parte da natureza do homem Rousseau inspirou muitos heróis. Sua obra deveria ser obrigatória nas escolas e vestibulares.
Parabéns pelo artigo e por ter lembrado deste.
abraços