Mais recordações de brasileiros que, de um jeito ou de outro, estiveram nos comícios das diretas:
1- Josué Sales da Silva
Estava eu sentado ao lado de meu pai e minha mãe, meu pai um tanto cético
pois tinha ainda na sua historia de vida a ditadura como elemento norteador
da sociedade, claro que por sua pouca instrução advinda do modelo de
governo e filho de militar, eu, um pouco absorvido pelo acontecimento, um
misto de desejo de mudança e medo do que poderia surgir pela frente, novos
desafios, enfim, e minha mãe olhando a televisão, não sei ao certo se ela
estava um tanto perceptiva do fato ou se era pensamento do que fazer no dia
seguinte.
2- Sirlene Paes
Sou historiadora e professora de História. Na época das diretas já, eu
tinha 15 anos, cursava o primeiro ano do Ensino Médio e fui num grande
comício na praça da rodoviária aqui em BH. Porém, como sabes, as aulas de
história, cerceadas que eram, não abordavam questões políticas. O ensino
era aquele tradicional e sem propostas de reflexão, haja vista o ainda
contexto ditatorial. Assim, fui no comício sem entender bem do que se
tratava. Fui porque diziam que teria show do Chitãozinho e xororó
gratuitamente, sem sequer conhecer o teor reivindicativo daquela multidão
aqui reunida…mas ficou registrado em minha memória os brados de Tancredo e
Ulisses a favor da democratização…
3- a coleguinha Isabel Magalhães, jornalista e amiga:
No dia das Diretas Já no Rio, na Av. Presidente Vargas, lembro que saí da
redação da TV Manchete, no Russel. Cheguei ao centro e vi aquele mar de
gente. Meu objetivo era atravessar a Presidente Vargas para encontar
amigos que estavam no Hotel Guanabara, outro lado da Avenida. Eles haviam
alugado um quarto para gravarem o comício lá de cima.
Era tanta gente que achei que não conseguia atravessar. De repente, surgiu o
Ricardo Boechat, que me pegou pela mão e fomos passando no meio daquele
multidão. Do hotel Guanabara, assisti a um dos eventos mais emocionante da
minha vida.
Também me lembro da votação das diretas. Estava na TV Manchete, jogando no
ar um repórter ao vivo na Cinelândia, onde a população acompanhava a
votação num painel.
O Rio foi uma festa naquele tempo. Brizola era o nosso líder.
4-Haroldo Ceravolo Sereza:
Eu tinha 10 anos, morava numa cidade do interior de SP, Martinópolis, e acompanhava o movimento pelas conversas dos adultos. Tinha um casal de vizinhos, dr. Bianco, médico, e Vera Bianco, que saíram em buzinaço pelas ruas da cidade no dia do comício (acho) de São Paulo. Minha mãe foi junto. No final, a polícia parou na frente da casa deles e anotou o nome de todo mundo.